Cocaína
A cocaína é um estimulante do sistema nervoso central que aumenta dopamina, noradrenalina e serotonina. Traz riscos cardiovasculares importantes e pode interagir com medicamentos para ereção, antidepressivos e outros estimulantes.
O que é?
A cocaína é um estimulante do sistema nervoso central obtido da planta Erythroxylum coca. Pode aparecer como pó, pasta base ou crack. Seus efeitos são intensos e curtos, o que favorece redoses frequentes.
Como se consome?
- aspirada
- fumada, como crack ou pasta base
- esfregada em mucosas
- injetada em alguns contextos
Como atua?
A cocaína bloqueia a recaptação de dopamina, noradrenalina e serotonina, aumentando sua atividade no cérebro. Pode produzir:
- euforia intensa
- aumento de energia e alerta
- redução da fadiga
- taquicardia e aumento da pressão arterial
- ansiedade, paranoia e irritabilidade
Riscos específicos
- arritmias e infarto
- hipertensão grave
- convulsões
- ansiedade intensa, paranoia ou crise de pânico
- lesão nasal, pulmonar ou vascular conforme a via de uso
Interações com medicamentos
| Medicamento / grupo | Nível de risco | Efeito possível |
|---|---|---|
| Medicamentos para ereção | Alto | Maior sobrecarga cardiovascular e risco de eventos cardíacos |
| Antidepressivos | Moderado-Alto | Pode aumentar ansiedade, hipertensão e síndrome serotoninérgica em alguns casos |
| Benzodiazepínicos | Variável | Às vezes usados para “baixar”, mas a combinação pode mascarar intoxicação |
| Outros estimulantes | Muito alto | Aumenta muito o risco cardiovascular e neurológico |
Interações com antirretrovirais
Não se esperam interações farmacológicas tão marcadas quanto com outras substâncias, mas alguns ARV podem modificar enzimas hepáticas ou somar efeitos cardiovasculares e neuropsiquiátricos.
| Antirretroviral / grupo | Nível de risco | Observações |
|---|---|---|
| Efavirenz | Moderado | Pode somar ansiedade, insônia e alterações neuropsiquiátricas |
| Inibidores da protease potencializados | Moderado | Potencial teórico de alteração metabólica |
| Integrase (DTG/BIC) | Baixo | Não se espera interação clinicamente relevante na maioria dos casos |
Redução de riscos
- evitar redoses muito seguidas
- não combinar com outros estimulantes
- hidratar-se e descansar
- não usar sozinho/a se houver risco cardiovascular
- ter mais cuidado se você usa efavirenz ou medicamentos para ereção
Sinais de alerta
- dor no peito
- falta de ar
- palpitações fortes ou irregulares
- agitação extrema, paranoia ou convulsões
- desmaio
Quando buscar atendimento médico?
- dor no peito
- convulsões
- dificuldade para respirar
- confusão intensa
- perda de consciência
O que diz a evidência?
A evidência clínica sobre cocaína e ARV é menor do que para outras combinações mais estudadas, mas os riscos cardiovasculares próprios da substância são bem conhecidos. O principal cuidado é evitar combinações que aumentem ainda mais pressão arterial, frequência cardíaca e toxicidade neurológica.